Lisboa Catastrófica – Sismologia fora da sala de aula!
Lisboa transformou-se, por duas manhãs, num verdadeiro laboratório a céu aberto. No percurso pedagógico “Lisboa Catastrófica – Sismologia fora da sala de aula”, os alunos das turmas 10.º C e 10.º D trocaram as paredes da sala pelas ruas da cidade, numa viagem científica e histórica entre o Largo de Camões e a Fundação José Saramago, passando por alguns dos mais marcantes vestígios do Terramoto de 1755.
Ao longo do percurso, conceitos trabalhados em sala de aula ganharam forma, escala e significado. As escalas sísmicas deixaram de ser meras abstrações; os sismogramas foram analisados ao ar livre e os parâmetros de caracterização sísmica foram compreendidos à luz dos locais observados. A teoria ganhou, assim, materialização concreta. Junto aos vestígios do antigo Palácio dos Marialva, evocou-se a Teoria do Ressalto Elástico; no imponente Convento do Carmo, as cartas de isossistas permitiram interpretar a intensidade do abalo sísmico; na Praça do Comércio, as ondas P e S foram simuladas, “sentidas” e compreendidas pelos alunos, numa experiência dinâmica e participativa.
Recordou-se ainda o desaparecido Hospital de Todos os Santos e analisou-se a profunda transformação urbana que deu origem à atual Praça da Figueira e ao Rossio, evidenciando como a cidade se reinventou após a catástrofe.
Na Rua Augusta, o estudo da gaiola pombalina revelou-se um exemplo notável de engenharia antissísmica, demonstrando como a ciência se materializa na arquitetura e na forma como a cidade responde ao risco sísmico. A reconstrução conduzida pelo Marquês de Pombal permanece, até hoje, um marco na história da engenharia e do planeamento urbano.
Este percurso evidenciou que existem múltiplos ambientes de aprendizagem e que a cidade onde estudamos e vivemos pode constituir um espaço privilegiado de construção do conhecimento.
Nos dias 26 e 31 de janeiro, o laboratório da escola foi a cidade de Lisboa — uma cidade que tremeu, caiu, se reinventou… e ensinou as turmas do 10ºC e 10ºD.
A atividade foi concebida e dinamizada pelo Professor de Biologia e Geologia André Ferreira, contando com a colaboração das professoras Carla Matos e Luísa Belo.
